A FÉ (I)

I. A FÉ É A CERTEZA DA ESPERANÇA

 

  1. Na Bíblia, a definição mais fundamental da fé está em Hebreus: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho”.
  2. Observe a distinção que o autor de Hebreus faz entre fé e esperança.
    • Estas ideias estão intimamente conectadas, mas, apesar disso, são distintas.
    • De maneira semelhante, Paulo escreve em 1 Coríntios 13, sobre a grande tríade de virtudes cristãs: fé, esperança e amor. 13Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior deles é o amor.
    • Esta passagem também revela que há uma distinção entre fé e esperança.
  3. Novo Testamento, a palavra esperança funciona de maneira diferente de como o faz nos países ocidentais hoje.
    • Quando usamos a palavra esperança, estamos frequentemente nos referindo a um estado emocional de desejo, em nosso coração, a respeito do que gostaríamos que acontecesse no futuro, mas não estamos certos de que isso acontecerá.
    • Podemos esperar que nossos times favoritos vençam campeonatos esportivos, mas essa esperança pode nunca se concretizar.
    • Isto pode ser uma esperança vã e fútil, porque é qualquer coisa, exceto uma certeza.
    • Há um tipo de esperança que não nos envergonha (Rm 5.5 Ora, a esperança não nos deixa decepcionados, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi dado.).
  4. Quando a Bíblia fala de esperança, ela não se refere a um desejo por um resultado futuro que é incerto, e sim a um desejo por um resultado futuro que é totalmente certo.
    • Baseados em nossa confiança nas promessas de Deus, podemos ter plena certeza quanto ao resultado.
    • Quando Deus dá ao seu povo uma promessa sobre o futuro, e a igreja a toma para si, esta esperança é designada a “âncora da alma” (Hb 6.19 Temos esta esperança por âncora da alma, segura e firme e que entra no santuário que fica atrás do véu,).
      1. Uma âncora é aquilo que dá a um navio proteção contra o flutuar sem rumo no mar.
      2. As promessas de Deus, quanto ao amanhã, são a âncora para os crentes, hoje.
    • Quando a Bíblia diz que “a fé é a certeza de coisas que se esperam” (Hb 11.1 Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem.).
      1. Ela está falando de algo que tem consistência ou importância – algo de valor extremo.
      2. A implicação é que a fé comunica a essência da esperança.
    • A esperança é a fé aguardando.
      1. A palavra possui um forte elemento de confiança.
      2. Se a minha esperança se baseia em algo que Deus falou que acontecerá no futuro, a esperança que tenho, quanto à promessa futura, obtém sua substância de minha confiança naquele que fez a promessa.
      3. Posso ter esperança porque tenho fé em Deus.
      4. Se posso confiar na promessa de Deus quanto ao amanhã, há uma substância para a minha esperança; minha esperança não é apenas uma ilusão, uma fantasia ou uma projeção de desejo que se baseia em sonhos inúteis.
      5. Pelo contrário, ela está baseada em algo que tem substância.

 

II. A FÉ É A CONVICÇÃO DE FATOS QUE SE NÃO VEEM

 

  1. A definição de fé continua dizendo: “A fé é… a convicção de fatos que se não veem”.
  2. O autor usa uma referência a um dos sensos do corpo humano pelo qual ganhamos conhecimento, o senso da visão.
  3. Há uma expressão popular que diz: “Ver é crer”. Esta atitude não é oposta à fé bíblica, porque o Novo Testamento nos chama a colocar nossa confiança no evangelho não com base em algum salto irracional no escuro, e sim com base nas afirmações de testemunhas oculares, que relataram nas Escrituras o que elas viram.
    • Vejamos o que diz o apostólico de Pedro em 2 Pe 1.16 Porque não lhes demos a conhecer o poder e a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade.).
    • Temos também as palavras de a Teófilo: 3igualmente a mim pareceu bem, depois de cuidadosa investigação de tudo desde a sua origem, dar-lhe por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, 4para que você tenha plena certeza das verdades em que foi instruído. (Lc 1.3-4). Ele está falando de coisas que substanciou com base no testemunho ocular de outros.
    • Temos Paulo defendendo sua confiança na ressurreição de Cristo, em 1 Coríntios 15, ele apela para testemunhas que viram pessoalmente Cristo ressuscitado: Cefas, os doze, os quinhentos, Tiago e todos os apóstolos (vv. 5–7).
    • Em seguida, ele escreve: Por último, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo. (1 Co 15.8).
    • Paulo está dizendo: “Creio na ressurreição porque muitas testemunhas oculares viram Cristo ressuscitado, e eu mesmo o vi”.
  4. No Novo Testamento há uma ligação entre fé e ver, mas, apesar disso, o autor de Hebreus descreve a fé como a convicção de coisas não
    • Hebreus diz que a fé é a convicção de coisas que não vemos. A ideia é esta: eu não sei o que o amanhã trará, mas sei que Deus sabe o que o amanhã trará.
    • Portanto, se Deus promete que o amanhã trará algo, e se eu confio em Deus quanto ao amanhã, tenho fé em algo que ainda não vejo.
    • Essa fé serve como convicção, porque seu objeto é Deus.
    • Eu o conheço; ele tem uma reputação sublime – é infalível e nunca mente.
    • Deus sabe tudo e é perfeito em tudo que comunica.
    • Por isso, se Deus me diz que algo acontecerá amanhã, eu creio nisso, embora não o veja.
  5. O que Deus afirma a respeito do futuro?
    • Ele não somente nos revela os eventos de amanhã que ainda não vemos, mas também nos revela muito sobre a esfera sobrenatural que nossos olhos não podem penetrar.
    • Não podemos ver os anjos neste tempo. Não podemos ver o céu. Mas Deus nos revela a realidade destas coisas, e, pela fé, vemos que elas têm substância, porque Deus é digno de confiança.

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